diante dos fatos de hoje, note a ingenuidade de meu comentário de ontem...
globalização peruana
há anos a venao, exportadora de madeira de pucallpa, tem tradicionalmente invadido e retirado madeira de lei ilegalmente em terras ashaninka do amônia e, mais recentemente, da reserva extrativista do alto juruá;
os ashaninka tem uma luta reconhecida internacionalmente de anos, uma luta diplomática, educativa, política;
diante do reconhecimento a essa luta, já se pode dizer hoje, com razão, que o governo peruano e o governo de pucallpa tem levado na má fé, dizendo uma coisa e fazendo outra ao apoiar explicitamente a madeireira, comprometida decerto, com seus financiadores internacionais;
afirmo isso apoiado na política desenvolvimentista e nas afirmações que tem sido feitas pelo próprio governo com relação ao caso;
estamos vivendo novos tempos de política e mercados internacionais, nos quais as velhas referências nacionais parecem estar descaracterizadas;
a força do mercado internacional nesses tempos de “globalização” tem determinado, e muito, a política interna e externa de importantes estados nacionais da ordem global, especialmente na américa latina, com sua tradição de submissão política e econômica, como no caso do próprio brasil;
pode-se dizer, isso é uma coisa antiga, com o que concordo, o que digo não é novidade;
no entanto, considero importante observar como os peruanos seguem essa lógica com uma naturalidade que nos estarrece;
já era claro que a posição que se podia atribuir à venao, deve ser atribuída ao próprio governo de pucallpa e ao governo peruano, que se utilizariam da venao para criar esse conflito junto á opinião pública internacional, ao mesmo tempo que essas mesmas instância representativas do estado peruano são utilizadas pela articulação madeireira internacional que está por trás da forestal venao;
dessa forma, podemos ainda continuar fingindo crer na boa fé do estado peruano e, apoiados no direito internacional, chamar a sua atenção para as formas com que o complexo venao manipula políticas locais e imprensa nacional, ou tratarmos definitivamente, como é de conhecimento local, que os próprios representantes do país vizinhos declaram abertamente seu livre tráfego (e o tráfico da venao) pela fronteira como estratégia econômica regional, o que ficou comprovado pelos marcos falsificados;
pode-se crer, então, que podemos ainda insistir na via diplomática e exigirmos, via imprensa, os direitos internacionais de que estamos sendo lesados, mas também devemos estar atentos, como o marcelo está, para a mobilização internacional que a articulação entre indústria local e comparsas, governo e madeireiras internacionais investem na imprensa e na opinião pública, pois o conflito pode estar sendo criado não pela venao, e sim por essa articulação;
aí talvez a estratégia seja outra, talvez mais agressiva, talvez mais articulada;
Marcadores: ashaninka, invasão, territorio indigena
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